Batoru Rowaiaru ou “aquele livro das crianças se matando”

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Mais ou menos um mês e meio atrás eu recebi aqui em casa um kit mais do que bacana da Globo Livros para o lançamento de Battle Royale, uma das mais importantes obras da literatura japonesa e olha só que coisa mais que sensacional:

Aí nesse momento você deve estar se perguntando: “Mas o que diabos é Battle Royale?” e eu te trago a sinopse do livro:

“Em um país totalitário, o governo cria um programa anual em que uma turma do ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo.

Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo.

Ao final do Programa, o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país.

As regras do jogo foram criadas de maneira que não haja uma forma de escapar. E a justificativa da matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não podermos confiar em ninguém – nem mesmo no nosso melhor amigo de escola”.

Se você é uma pessoa normal com certeza deve ter se interessado de cara só pelo que acabou de ler. Aliás, não necessariamente uma pessoa normal, já que se a gente pensar bem se interessar por uma obra onde crianças são presas em uma área remota por um governo totalitário para matar uns aos outros não é lá um atestado de sanidade.

E de certa forma esse “atestado de anormalidade” com relação à trama foi vista já na sua gênese, quando o seu autor Koushun Takami chegou ao final do Japan Grand Prix Horror Novel em 1997, mas teve o seu manuscrito preterido porque o júri não achou a ideia lá muito normal.

Koushun Takami, o autor de Battle Royale, e sua obra
Koushun Takami, o autor de Battle Royale, e sua obra

Depois disso, o livro só veio a ser publicado em 1999 vendendo mais de um milhão de cópias só no Japão e causando um verdadeiro rebuliço de polêmica e buzz na mídia, o que acabou levando a obra a ser adaptada para mangás, que saiu aqui no Brasil pela Conrad em quinze volumes entre novembro de 2006 e novembro de 2011, e para os cinemas com direção do renomado Takeshi Kitano, que saiu aqui no Brasil em DVD pela Visual Filmes em 2007 com o título de Batalha Real e foi elogiado por ninguém menos que Quentin Tarantino como o melhor filme que ele havia assistido desde o início de sua carreira.

Como se isso não fosse suficiente, ainda existe a polêmica que envolve a acusação que Jogos Vorazes seria um plágio de Battle Royale, algo que Suzanne Collins ser impossível já que não conhecia a obra japonesa antes de escrever seu livro e que Koushun Takami já afirmou que não tinha intenção de abrir processo de forma alguma por acreditar que cada obra tem algo diferente a acrescentar sobre o tema.

Mas vamos falar do livro em si?

O personagem principal do livro é Shuya Nanahara, um garoto que perdeu os pais em um acidente de carro aos cinco anos e acabou crescendo na Casa de Caridade, um orfanato católico, e que juntamente com sua turma do colégio é obrigado pelo governo a participar do Programa que, segundo a Enciclopédia Compacta compilada pelo governo, tem a seguinte definição:

“Programa subst.m. 4. Simulação de batalha instituída por razões de segurança e conduzida pelas Forças Especiais de Defesa da nossa nação. Oficialmente conhecido como Experimento Militar do Programa Nº 68. O primeiro Programa foi realizado em 1947. Anualmente, cinquenta alunos são selecionados aleatoriamente (antes de 1949, quarenta e sete alunos eram escolhidos) para a execução do Programa e coleta de dados estatísticos. O experimento em si é simples. Os colegas de turma são forçados a lutar entre si até que resta apenas um sobrevivente, e os dados – inclusive o tempo despendido – são analisados. Ao sobrevivente final de cada classe (o vencedor) é assegurada uma pensão vitalícia e um cartão autografado pelo Supremo Líder”.

Capa da edição brasileira de Battle Royale
Capa da edição brasileira de Battle Royale

Como eu falei no Nerdofobiacast #011, o estilo de escrita de Koushun Takami me agrada muito, tanto pelo fato dele utilizar capítulos curtos que acabam dando um ritmo bem legal para a trama, quanto pela forma que ele desenvolve cada um dos (vários) personagens presentes na obra, utilizando flashbacks e trabalhando bem o lado psíquico de cada um deles com relação aos outros e a situação que eles próprios se encontram, o que para mim é o maior trunfo do livro.

Ah, eu particularmente não tive dificuldade até pelo costume em consumir obras orientais, mas a priori algumas pessoas podem ter dificuldades com relação aos nomes, já que todos são japoneses, mas é algo que rapidinho qualquer leitor consegue se acostumar.

Resumindo, Battle Royale é um daqueles livros extremamente sensacionais e que vale MUITO a pena qualquer um ir atrás para adquirir, pois o tempo investido vai valer cada centavo pela obra.

Por Bobby, o Anderson

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