Birdman ou (Um Tapa com Luva de Aço no Cinema)

Postado em Atualizado em

Birdman (1)

Acredito que muitos leitores deste site sabem quem é Mark Hamill, ou quem é Leonard Nimoy. Devem saber até de trás para frente os filmes e séries de Cinema e TV que deixaram esses dois atores populares mundialmente, diria até “Universalmente”. Mas acredito também que poucos saberiam dizer um outro filme ou qualquer obra destas personalidades que não sejam Star Wars ou Star Trek. Sou humilde para dizer que também teria que consultar os “universitários” para citar um filme sequer. Pois bem, este é o “disface” de Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014).

Utilizo o exemplo destes dois Astros de Hollywood não querendo dizer que suas vidas são semelhantes ao do personagem principal do filme em questão, mas que eles representam aqueles atores e atrizes que acabam ficando conhecidos por um determinado papel marcante, que catapulta a carreira, mas que ofusca tudo que vem depois.

Numa rápida sinopse, o filme trata de um pedaço da vida de Riggan, um ator que se tornou famoso por interpretar nos cinemas um herói dos quadrinhos, que se vê, no fim de sua carreira, convivendo com o fantasma do passado, tentando resgatar seu talento numa peça da Broadway fadada ao fracasso. Por trás disso tudo Riggan quer se tornar um pai, um amante, uma pessoa melhor, mas esbarra em “Birdman”, a única coisa pelo qual ele é conhecido.

Escrito e dirigido por Alejandro González Iñárritu, o filme conta ainda com Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo como roteiristas. Na atuação, vale destacar Michael Keaton como Riggan, Edward Norton que interpreta um ator de teatro inusitado e excêntrico, e ainda Naomi Watts, Emma Stone e Zach Galifianakis.

_AF_6405.CR2

Deve-se destacar a direção de Iñárritu. Estamos falando de interpretações dentro de outras, ou seja, o filme inteiro é quase que uma grande peça de teatro, e o enredo é puro diálogo e quase nada de narração. A direção ganha uma dificuldade dobrada que foi muito bem superada. Mas, o que fará queixos caírem, é a edição do filme. Parece até que não houveram cortes; a câmera começa a rodar e não para mais. De uma cena passa-se para outra, como uma tomada continua. Isso passa uma sensação de estar dentro da obra, acompanhando os personagens. Diria mais, a montagem da película a faz, realmente, parecer uma peça de teatro. Então, merecem muitos méritos a edição por conta de Douglas Crise e Stephen Mirrione.

Na atuação temos duas grandes metáforas por conta de Michael Keaton e Edward Norton. Ambos são conhecidos por personagens de quadrinhos que fizeram nos cinemas. O primeiro é  famoso pela interpretação do Batman nos filmes do homem morcego do final de década de 80 e início de 90. Já Norton interpretou o Incrível Hulk recentemente. Keaton chega a ser mais marcado que Norton. Talvez, as suas interpretações mais recentes em Robocop e agora em Birdman fizeram voltarmos a perceber quão bom ator ele é. Edward Norton, também dá um show como Mike, que brinca de atuar mas é um contraponto, um peso que traz Riggan para a realidade que ele precisa enfrentar, a de que ele não é o Homem-pássaro, e sim um ator medíocre.

birdman

Agora, vocês devem estar se perguntando o que tem haver essa “tapa com luva de aço” com o filme. Ora, na minha mera opinião, penso que essa história de ator decadente nada mais é que um disfarce, como todo super herói tem, que esconde sua verdadeira face. Face esta que. no caso de Birdman, é uma crítica aberta à indústria dos filmes “blockbuster” de Hollywood. Riggan representa, na verdade, o cinema de hoje, não do passado. O cinema que ofusca, com luzes e efeitos especiais, obras magníficas de grande peso artístico.

Birdman_courtesy_Fox_Searchlight

Uma crítica que vem a ser dura, como a personagem de Lindsay Duncan, que nada mais é que uma crítica de teatro que elabora um texto que dá o subtítulo do filme, “A Inesperada Virtude da Ignorância”. Em um trecho de sua fala, a personagem despeja em Riggan todo o motivo de seu ódio e num tom profético dispara:

“Porque odeio você. E tudo o que você representa. Intitulados, egoístas e crianças mimadas. Totalmente destreinados, desconhecedores e despreparados para produzir arte de verdade; entregando prêmios um ao outro por cartum e pornografia; e gastando seus ganhos nos fins de semana. Bem, este é o teatro. Você não pode vir e fingir escrever, dirigir e atuar na sua peça de propaganda sem passar por mim primeiro.”

Bem, de teatro para o cinema só muda o palco. Eis o tapa…

Hoje, filmes bons perdem para um marketing agressivo e tecnologia cada vez mais avançada dos pipocões que lotam salas de cinema. Riggan é a boa obra que se perde justamente com essa virtude de sermos ignorantes, assim como acontece com o Birdman.

Então, temos uma metáfora dentro de outra que, quase como uma redundância cinematográfica, nos delicia e faz amarmos as artes cênicas, seja na tela ou no palco, com efeitos ou apenas maquiagem, com asas ou com lágrimas.

Por Iêdo Júnior

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s