Penny Dreadful e a Reinvenção do Horror

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Extraordinária!
Essa é a única palavra pra expressar Penny Dreadful. Sim foi um trocadilho grotesco com o próprio enredo da série, mas eu estou me adiantando…
Século 19, ruas escuras e macabras da Londres vitoriana, esse é o cenário onde algumas pessoas notáveis se erguem para enfrentar o mal e outras são o próprio mal. Dentre elas algumas são realmente fabulosas. Dr. Frankenstein, Dorian Gray, Dracula, Van Helsing, Jack Estripador e vários outros. Penny Dreadful nos leva a um mergulho nas profundezas do mais suntuoso horror com toques de fantástico e personagens realmente cativantes. Achou a premissa interessante? Eu também.
Falando-se em cativantes, algumas atuações são dignas de Emmys. Com uma direção específica para o gênero grotesco, embora requintado e uma fotografia envolvente e sombria, a série da Showtime foi uma das gratas surpresas para quem gosta desse estilo de temática e não curtiu nenhum pouco a adaptação feita pra o cinema da liga extraordinária(ou liga de cavaleiros extraordinários, no original). Apesar de contar com grandes nomes como Sean Connery e Stuart Townsend o filme não convence nenhum pouco e deixa o gostinho de que uma série teria caído bem melhor para a história. Então Penny Dreadful é essa série, apesar de várias licenças poéticas terem sido usadas a ideia original sobrevive e a forma como fizeram isso acontecer cativa bastante o espectador. Os acontecimentos iniciais da série ocorrem na época do Jack, o Estripador. Uma mulher e sua filha são abduzidas e, mais tarde, encontradas em pedaços. As suspeitas recaem sobre o temido maníaco. No entanto, logo dá para notar que existem “coisas” muito mais aterrorizantes rondando as ruas da capital inglesa.
Penny-Dreadful-season-2 A Liga
Mr. Malcolm,(um hibrido entre o pai de Mina e Alan Quartemain, aqui a licenca poética se fez valer bastante) o explorador em busca da filha desaparecida, faz parte da alta sociedade londrina. Não sabemos muita coisa a seu respeito, só que costumava fazer expedições pela África e é obstinado em resgatar Mina sua filha perdida. Junto dele temos a enigmática Vanessa Ives, uma sensitiva, e canal de comunicação com o além. Uma verdadeira incorporação de como construir bem um personagem. Eva Green não só da um show de interpretação como é possível sentir a verossimilhança de uma persona atormentada por forças maiores que ela, as quais a mesma se esforça para compreender e combater. Cenas de possessão demoníaca, sexo e as tiradas dela enquanto analisa as pessoas são geniais.
Do grupo de Malcolm também temos Ethan Chandler, o americano que fugiu de sua terra natal por motivos ainda não muito claros. Embora faça de tudo para manter sua pose de durão, tem coração mole e é muito romântico. Mais pra frente ele prova que suas origens vão além do que ele mostra e é uma das reviravoltas mais bacanas da série pois o que estava claramente nítido se desdobra em algo realmente bacana para o personagem e o espectador.
Ainda vemos a encarnação bem convicente de Victor Frankenstein, aquele que dá vida a uma criatura feita de pedaços humanos, só que aqui ele é uma espécie de legista/ pesquisador que tem uma obsessão por trazer os mortos de volta a vida. Esse segredo acaba trazendo uma dinâmica extremamente rica em cunho filosófico, moral entre criador e criatura. Fora esses personagens do grupo de Malcolm temos alguns que completam o elenco de forma primorosa. Um exemplo deles é o sedutor e já bem conhecido Dorian Gray, um jovem intrigante e com sérios problemas em seu jeito particular de conquistar suas presas sexuais, sejam eles do sexo feminino ou masculino. Existe outra personagem forte no enredo, Brona Croft mas não falarei muito dela para não estragar a surpresa já que a personagem merece toda a atenção.
Penny-Dreadful-Wallpaper-penny-dreadful-37238031-1280-800 Enfim, Penny Dreadful é essa reunião de Cavaleiros (e Damas) extraordinários em busca de subjulgar forças que agem nas sombras e ameaçam o mundo como conhecemos, parece clichê? É clichê, mas trabalhado da melhor maneira possível, com personagens cheios de nuances e com atuações dignas de nota. Uma das melhores coisas que aconteceram na tv ultimamente (junto de True Detective). Com oito episódios na primeira temporada, dez na segunda (ainda em exibição) e com a terceira temporada já confirmada pelo showtime, Penny Dreadful é entretenimento de qualidade garantida. Vale a pena perder alguns minutos na Londres Vitoriana suja e ao mesmo tempo suntuosa, dividida por demônios, assassinos, sensitivos, imaculados e toda gama de aberrações que um cenário tão rico poderia proporcionar. Bem vindo ao mundo de horror e mistério de Vanessa Yves e aceite seu convite para a reinvenção da natureza fantástica.
Por Jefferson Lobo

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