Demolidor – O Diabo da Guarda “Em Guarda”

tumblr_n0g2bn85yu1rom810o3_500

Matt Murdock, o homem sem medo, jogado nas cordas…

Essa é a nítida impressão que eu tenho quando leio Demolidor: Diabo da Guarda. O herói da Marvel que tem uma das melhores premissas por ser cego e ainda assim combater o crime é alçado a um patamar ainda mais notório nessa hq apresentada por Kevin Smith, Joe Quesada e Jimmy Palmiotti. Nela vemos sempre, desde seu inicio até a conclusão do título Matt Murdock na defensiva, ou seja em guarda, talvez uma referência ao seu pai que era boxeador e sempre lembrado por aguentar pressão.

O herói que tem tendências claramente cristãs, é levado pelo poder da crença que tem, por algumas simbologias e armadilhas criadas por seus inimigos para um status de quase paranoia ao ser incumbido da missão de proteger um bebê que pode ser tanto o salvador da humanidade quanto o anticristo. Bem nonsense mas para o universo do demolidor a história encaixa de forma certeira.

viuvademolidor

Diabo da Guarda explora de maneira nostálgica aquela pegada mas sombria e urgente, que Frank Miller tinha imprimido ao personagem, a medida que reconstrói a personalidade de Matt dividido entre sua profissão de advogado, vida amorosa (um fiasco) e vida como vigilante da cozinha do inferno. Falando de volta as raízes, algumas passagens em que Matt se encontra na igreja dialogando com um padre são sensacionais, pois levam a reflexão de cunho moral e ético muito faltosos na nossa atual sociedade.Muitas dessas passagens foram utilizadas na série produzida pela Netflix/Marvel recentemente.

A trama se desenvolve de maneira fluida tendo o personagem do demolidor correndo em busca da verdade sobre o bebê, ao mesmo tempo em que precisa sobreviver a ataques desferidos não apenas contra ele, mas também a seus amigos e parentes mais próximos. A prisão de seu sócio Foggy Nelson acusado de assassinato e o retorno de sua ex-namorada Karen Paige revelando ser portadora do vírus HIV (muito adulto pra época) são apenas algumas das crises que ele tem de enfrentar.

daredevil-karen-dead

Apesar de vários méritos Demolidor Diabo da Guarda demonstra algumas falhas, principalmente no que se refere a sua conclusão. O fechamento da história chega a ser meio pífio, se considerarmos toda a sua estruturação e narrativa. Algumas passagens ficam com pontas soltas como o embate dele com o mercenário e a morte de Karen Paige de uma forma um tanto cinematográfica demais. A impressão é que o rumo da história seria outro mas decisões editoriais fizeram com que ela apontasse pra outro norte.

“Diabo da Guarda” foi republicado em um encadernado pela Salvat/Panini no Brasil recentemente e embora tenha sido originalmente lançada em 1998/99 nos EUA, eu fico com a sensação de que este é um daqueles quadrinhos com o dom de serem atemporais. Seja para apresentar o demolidor para novos fãs, visto que ele se popularizou com a recente série da Netflix, seja para resgatar velhos fãs que há tempos não leem nada do diabo de hell’s kitchen fica a dica de uma leitura que figura sem dúvida entre as melhores do personagem.

Por Jefferson Lobo

capasalvat

Anúncios

6 comentários

  1. Nossa adorei o texto…Sempre fui muito fã do Demolidor…Problema é que ele é um herói muito da cozinha do inferno..quando as estórias se passam lá sempre é bom..quando tiram ele do universo dele nunca dá certo…
    Curti!

  2. O melhor personagem da Marvel.Pena que muito subestimado… Nessa história concordo que o final foi meio brochante!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s