O Renascimento do melhor mangá de samurais já feito – Blade A Lâmina do Imortal!

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Blade of the Immortal ( Mugen no Jūnin? , literalmente: “Habitante do Infinito”), também conhecido como Blade – A Lâmina do Imortal, é originalmente uma série de mangá escrita e ilustrada por Hiroaki Samura, adaptada para a TV como uma série de anime em 2008 produzida pelo estúdio Bee Train e animada pelo estúdio Production iG. A série foi publicada pela primeira vez em 1994, na revista mensal Afternoon, da Kodansha, tendo saido por completo em Dezembro de 2012, possuindo 30 volumes no formato tankobon.

No Brasil, o mangá começou a ser publicado pela Conrad Editora em 2004, em um formato meio-tanko, que totaliza 38 volumes. Em 9 de Outubro de 2015 a editora JBC anunciou o lançamento dele em formato BIG, que junta dois volumes tankobon em um único volume totalizando 15 edições. Atualmente ainda sendo lançado.

Enredo
No Japão feudal, durante a metade do período Xogunato Tokugawa, 2º ano da era Tenmei (1782), um ronin chamado Manji é contratado para matar aqueles que se negam pagar os impostos. Ao perceber que estava matando inocentes, Manji se rebela contra seu contratante e acaba matando ele e todos os seus 99 guarda-costas. Bastante ferido, Manji recebe os cuidados de uma monje (mulher), que ao lhe dar o “chá de vermes” acaba lhe concedendo também a imortalidade. Sentindo-se culpado e não podendo morrer, Manji propõe a monja que, se ele matar 1000 criminosos poderia se livrar da imortalidade. Do outro lado de Edo, estava uma jovem chamada Rin, que, ao ter seus pais assassinados por um dojo rival, vaga pela cidade atrás de um mercenário que possa vingá-los, e acaba conhecendo Manji. Sim essa é a sinopse do que na minha humilde opinião é um dos melhores mangás de todos os tempos.

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Kessenchus

Segundo as palavras de Yaobikuni, “são a poção miraculosa da longevidade, criada pelos monges Iamaistas para salvar a alma dos que morreram sem terminar sua missão na terra”. Os Iamaistas estão na mais alta hierarquia entre os monges tibetanos. Uma pessoa que hospeda os “kessenchus” em seu corpo não tem mais problemas com espadas e armas em geral, porque os vermes restauram quase instantaneamente o tecido humano danificado. Até órgãos essenciais do corpo, como coração e cérebro, deixam de ser pontos fracos, e membros eventualmente arrancados são facilmente recolocados, bastando para isso manter as faces decepadas unidas por algum tempo. Em função disso, a poção torna a pessoa virtualmente imortal. O efeito, porém, não é de regeneração total – braços e pernas novos não irão crescer no lugar dos que foram perdidos. Como Manji ainda é caolho e cheio de cicatrizes pelo corpo, conclui-se que o efeito do “kessenchus” se resume a conservar fielmente o estado do organismo no momento em que foram nele introduzidos. Até o seguinte momento, os únicos personagens da obra que já os hospedaram são Manji, Yaobikuni e Eiku Shizuma. Posteriormente outros personagens tem contato com os kessenchus mas não vou falar pra evita o spoiler.

Como se sabe, quem os inoculou em Manji e em Shizuma foi Yaobikuni, o que, até o seguinte momento, a torna a única pessoa a conhecer os procedimentos secretos para tornar homens em seres imortais. Para todos os demais, tais procedimentos ainda são um completo mistério. O único ponto fraco conhecido dos “kessenchus” é um remédio chamado “kessensatsu”. Eiku Shizuma teve acesso á substância na época em que andou pelo Tibete, e explica que, quando o hospedeiro se fere, milhões de “kessenchus” se unem e substituem o tecido humano; enquanto o “kessensatsu” decompõe essa liga de vermes. Quando o hospedeiro ingere ou toca em uma pequena amostra do veneno, suas feridas vão se abrindo, a partir das mais novas. Se a dose for muito alta, a morte é certa e dolorosa.

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Porque Blade é tão bom?

Blade é um mangá a frente do seu tempo. Hiroaki Samura joga o leitor em um mangá que quebra o bushido e mostra samurais lutando em um japão com tons de contra cultura… Apesar de algumas liberdades poéticas o enredo do mangá é uma das coisas mais bem sacadas dos últimos tempos e além do traço do Samura que misturas arte finalizada com nanquin puro, temos os visuais dos personagens diversificados de um modo animal.

A quebra do lugar comum na trama e as diversas reviravoltas que acontecem com os protagonistas, fazem com que o leitor se apegue aos dramas de Rin e Manji sem antipatizar com seus antagonistas. Todos tem um motivo forte, mesmo que esses motivos sejam doentios e imponderáveis. A visão de Samura alcança patamares que abrem discussão para perca da inocência, vingança, estupro, machismo, autoconhecimento e busca por justiça, mas nada de maneira convencional.

Blade se caracteriza também por manter o nivel da narrativa sempre no máximo. Em nenhum momento o leitor cai no marasmo, mesmo nos momentos de cruzamento entre histórias nada é arrastado. O mangá tem um dinâmismo que poucas obras alcançam ou alcancarão ao longo do tempo. Ao reler as edições agora publicadas pela JBC eu pude sentir o quanto a leitura discorre de maneira fluida e natural. Nota dez pro Samura.

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Personagens

Um dos pontos fortes do mangá e talvez o que defina a obra de modo sensacional são os personagens, cada um com seus dramas e ambições.

Manji: Ex-samurai que há dois anos matou seu superior, o hatamoto (vassalo do xogum) Shigenobu Horii, e mais 99 homens que vieram atrás dele. Por essa razão, foi apelidado de hyakuningiri (matador de cem homens). Passou a ser imortal depois que a monja Iamaista Yaobikuni inseriu os kessenchus em seu corpo.

Rin Asano: Filha única do mestre Asano, da Mutenichi-ryu. Seus pais foram mortos pelos homens da Itto-ryu, comandados por Kagehisa Anotsu, e ela jurou se vingar dele. Dois anos depois, contratou Manji como guarda-costas e saiu para uma jornada atrás de vingança. Seu golpe principal são as “Vespas Douradas Mortais” que mais tarde vira “Vespas em Chamas Mortais”!

Yaobikuni: Assim como Manji, ela possui kessenchus em seu corpo. É uma monja misteriosa, que já viveu mais de 800 anos, e é a responsável pelos kessenchus no corpo de Manji. Foi ela quem aconselhou Rin a contratar um guarda-costas imortal (Manji).

Kagehisa Anotsu: Segundo a filosofia de vida do comandante da Itto-ryu, “vencer é o verdadeiro caminho da espada”. Para vingar a humilhação sofrida no passado pelo avô, Saburo, Anotsu destruiu a Mutenichi-ryu e acabou se tornando o maior inimigo de Rin. Seu desejo é unificar sob sua espada todos os estilos existentes no país.

Taito Magatsu: Membro da Itto-ryu. Usa uma espada que contém outra embutida e ainda uma pequena adaga nesta segunda. Esteve presente na noite da queda da Mutenichi-ryu, mas não participou do estupro da mãe de Rin, mostrando ser um espadachim de princípios. Manji o enfrentou quando foi recuperar a espada da família Asano, que estava em poder de Magatsu.

Kuroi Sabato: Espadachim da velha guarda, estava na Itto-ryu desde a infância de Kagehisa Anotsu. Durante os últimos 2 anos, nutriu uma paixão doentia por Rin e lhe enviou poemas de amor. Quando ela o atacou com as vespas douradas, foi revelado seu abominável fetiche por costurar pescoços de mulheres mortas nos ombros. Uma curiosidade: na tradução literal do nome do personagem Kuroi Sabato significa Black Sabbath, uma homenagem do autor a banda.

Eiku Shizuma: Assim como Manji e Yaobikuni, possui os kessenchus em seu corpo. Já viveu mais de 200 anos e acha que alguém “mortal” como Anotsu não está apto de um sonho tão grande. Tenta fazer parceria com Manji, mas este recusa e ambos iniciam uma sanguinária luta entre homens imortais. Ele possui um veneno que é conhecido como um dos únicos modos de acabar com esta imortalidade, o “kessensatsu”.

Makie Otonotachibana: Espadachim de talento excepcional, foi ela quem salvou Kagehisa Anotsu de um ataque de cães selvagens, quando os dois ainda eram crianças. Trabalhou como prostituta, mas Anotsu a tirou dessa vida e ela passou a integrar a Itto-ryu. No confronto com Manji, venceu-o facilmente, mas decidiu não matá-lo em respeito a Rin. é “ídolo de infância” de Anotsu.

Hyakurin: Membro da Mugai-ryu. De nome verdadeiro Hyaku Hayakawa, foi ela quem teve a ideia de convidar Manji para o bando, com a missão de assassinar Anotsu. Traída por Shira, acabou caindo nas mãos da Itto-ryu, por quem foi torturada e violentada. Foi salva por Gyiti no terceiro dia de cativeiro. Quando se recuperou, recebeu a notícia de que havia sido desligada da Mugai-ryu.

Gyiti: Membro da Mugai-ryu. Homem habilidoso, extermina seus inimigos sem dizer muitas palavras. Teve grande participação na derrubada da Itto-ryu, atuando como escudeiro fiel de Habaki. Foi o único a conseguir cumprir a meta da Mugai-ryu, o que lhe garantiu a liberdade. Sua última missão foi levar Manji ao encontro de Habaki e, com isso, conseguiu também a liberdade de Hyakurin.

Shira: Membro da Mugai-ryu e homem de um sadismo doentio. Quando tentou atacar Rin, Manji decepou seu braço direito. Para espanto de todos, raspou a carne e afiou os ossos que lhe sobraram no braço até criar uma arma bizarra. Saiu à caça de Manji e, depois que o encontrou, perdeu o outro braço lutando contra Magatsu. Acabou sendo engolido pela cachoeira, mas conseguiu sobreviver e foi capturado pelo governo. É o capeta em forma de gente.

Doua Yoshino: Uma das remanescentes da Itto-ryu. Doua foi criada em uma vila onde por acaso conheceu Isaku. Desde então se tornaram amigos. Percebendo que possuía um “demônio” (como ela mesma diz) em seu corpo, resolve fugir de sua aldeia junto com Isaku. Matou cinco oficiais em Otaru, na região de Ezo, e logo juntou-se à Itto-ryu há apenas três meses. Admira e confia em Anotsu e aguarda ansiosa a ocasião do “levante do inverno”. Antes, está hospedada no dojô Asano, a casa de Rin, agora está junto com ela em uma missão para resgatar Manji.

Isaku Yasono-Ookami: Gigante de olhos azuis, que se juntou à Itto-ryu para acompanhar Doua. Enquanto procuravam lugar para ficar, os mistérios do destino acabaram os levando ao dojô Asano. É um homem politicamente correto, que se atrapalha tentando controlar as atitudes egocêntricas de Doua. Descobriu por acaso que Anotsu é inimigo de Rin.

Atualmente Blade é lançado no Brasil pela JBC no formato big e tem previsão de 15 edições.

Mais informações em:
http://mangasjbc.com.br

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Tem um longa live action de Blade com previsão de lançamento para esse mês no japão, mas como possivelmente vá fugir muito do original não nos aprofundaremos dessa vez.

Por Jefferson Lobo ( @jeffersonwayne )

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2 comentários

  1. Qual é o mangá cujo protagonista , da época dos samurais, com poder de cura ou imortalidade, a certa altura da história é preso e passa por experiências medicas, que, com base no seu poder se regeneração, cortam seus braços e implantam em outros prisioneiros para ver se os mesmos também desenvolveriam adquiriam o poder. Obrigado.

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